Você já entrou em uma reunião com a decisão aparentemente tomada, mas sentiu um aperto no estômago? Ou percebeu o coração acelerar antes mesmo de conseguir explicar o que o incomodava?
Costumamos tratar esses sinais como obstáculos ao pensamento racional. Às vezes, tentamos ignorá-los para demonstrar segurança. Mas liderar bem exige algo mais profundo: reconhecer o que acontece dentro de nós antes de decidir o que faremos diante dos outros.
É nesse sentido que a expressão “nossos três cérebros” pode ser útil. Ela nos convida a observar a cabeça, o coração e o intestino como partes de um mesmo organismo, em comunicação constante. Não significa que tenhamos três mentes capazes de pensar e decidir separadamente. Significa que uma decisão humana envolve raciocínio, emoções e sinais do corpo.
A cabeça interpreta. O corpo também informa.
O cérebro organiza informações, recupera experiências, avalia possibilidades e projeta consequências. É indispensável para uma decisão consciente. Mas ele não trabalha isolado.
O intestino possui uma extensa rede de neurônios, chamada sistema nervoso entérico, que participa do controle da digestão e se comunica com o sistema nervoso central. Essa comunicação ocorre em duas direções. Por isso, uma situação de tensão pode afetar o funcionamento intestinal, enquanto sinais vindos do intestino também chegam ao cérebro.
O coração, por sua vez, possui uma rede nervosa própria e participa da comunicação contínua entre o corpo e o cérebro. A aceleração dos batimentos diante de uma conversa difícil é uma resposta física real. Ela merece atenção, embora não seja, por si só, uma resposta sobre qual decisão tomar.
Em outras palavras: o corpo oferece informações; cabe a nós interpretá-las.
O que isso muda na liderança?
Imagine um líder que precisa dar um feedback delicado. Ele conhece os fatos e sabe qual conversa precisa acontecer. Ainda assim, sente o coração acelerar e o estômago contrair.
Se interpretar essas sensações como uma ordem para fugir, adiará a conversa. Se tentar sufocá-las, poderá entrar na sala excessivamente rígido e transformar uma orientação necessária em confronto.
Há uma terceira possibilidade: reconhecer o próprio estado antes de agir.
“Estou tenso porque essa conversa importa. O que preciso comunicar com clareza? O que preciso ouvir? Como posso ser firme sem deixar de respeitar a pessoa?”
Esse pequeno intervalo entre perceber e responder é uma expressão prática de inteligência emocional. O desconforto continua presente, mas deixa de comandar sozinho o comportamento.
Também precisamos ter cuidado com uma ideia sedutora: a de que basta “seguir o coração” ou “confiar no intestino” para acertar. Uma sensação pode sinalizar preocupação legítima, mas também pode refletir medo, cansaço ou uma experiência passada que não corresponde à situação atual. Da mesma forma, uma análise lógica pode estar bem construída e ainda ignorar o efeito da decisão sobre as pessoas.
Uma boa decisão pede diálogo entre evidências, valores e percepção do próprio estado.
Uma pausa antes da próxima decisão
Quando estiver diante de uma escolha importante, experimente fazer três perguntas:
- O que sei? Separe fatos, hipóteses e informações que ainda precisa buscar.
- O que sinto? Observe as emoções e os sinais do corpo sem tratá-los como sentença.
- O que importa? Considere seus valores, as pessoas envolvidas e as consequências da escolha.
Se estiver muito agitado, alguns minutos de respiração lenta podem ajudar a reduzir a intensidade da reação física e criar espaço para pensar. A respiração não resolve o problema por você; ela pode ajudá-lo a enfrentá-lo com mais presença.
Na minha experiência com líderes, vejo que muitos conflitos se agravam quando respondemos antes de compreender o que está acontecendo dentro de nós.
Autoconhecimento não elimina decisões difíceis. Ele nos dá melhores condições de conduzi-las.
A próxima vez que seu coração acelerar ou surgir aquele conhecido “frio na barriga”, faça uma pausa. Investigue o sinal. Confira os fatos. Relembre o que é essencial.
Alta performance não é agir sem sentir. É aprender a decidir com consciência mesmo quando as emoções estão presentes.
Sou José Ricardo Rodrigues e estou aqui para ajudá-lo na construção do seu Planejamento Estratégico aliando aos modelos tradicionais, técnicas de Coaching e Inteligência Emocional.[...]
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